Empreendedorismo: Corrida dos Ratos é um conceito totalmente diferente de Mais Valia

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Certo dia, eu estava dando umas dicas de finanças para um colega meu e quando falei do conceito de Corrida dos Ratos, meu colega me disse que era parecido com o conceito de Mais Valia. Nesse texto vou desmistificar e comprovar que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Fique agora com as definições.

Mais Valia

É um conceito criado pelo alemão Karl Marx na era industrial, que critica o capitalismo. Sob a ótica de Marx, havia aqueles que possuíam o capital produtivo com o qual expropriavam a mais-valia, constituindo assim a classe exploradora (burguesia); de outro lado estavam os assalariados que não possuíam a propriedade (proletários). Nos termos atuais existe o patrão e o empregado. As empresas e os funcionários. O empreendedor e os colaboradores.

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Esse conceito já foi refutado pelo economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk no final do século XIX. Não quero me aprofundar no cerne do conceito, para isso você pode pesquisar as fontes originais de Marx e de Eugen, mas, no popular, a consequência dele é transformar o limão em uma arma. Transforma uma relação contratual em uma guerra entre patrão e empregado.

Atualmente estamos em uma outra realidade, uma sociedade global, a era da informação. Pessoalmente não gosto da fórmula homem/hora, pois ela robotiza o ser humano, foca na permanência de uma pessoa em um ambiente e não no que ele realmente produziu. Prefiro o formato metas a cumprir até data x. Esse é o formato adotado em empresas modernas como o Google e a Microsoft. Mas, mesmo no caso do homem/hora, ninguém é obrigado a permanecer na instituição, não há uma exploração porque as pessoas não são obrigadas a permanecerem naquele ambiente. Qualquer um pode se esforçar mais e empreender nas horas vagas ou estudar para um concurso que pague mais. O lucro, na era da informação, é um preço justo que o empreendedor recebe por lidar com os riscos e variações do mercado. O empregado não precisa lidar com esse risco. Existem mecanismos de proteção, por isso que o funcionário recebe um salário, pois ele auxilia a meta da empresa sem correr os riscos que o empreendedor corre. Claro que esse exemplo é baseado na realidade do Brasil que é uma república federativa constitucional presidencialista, com economia capitalista.

Corrida dos Ratos

É um conceito criado pelo americano Robert Kiyosaki e trata-se de um ciclo vicioso causado por desconhecimento do funcionamento dos mercados, pela falta de educação financeira, intensificado por autossabotadores culturais e conceitos distorcidos que te deixam em uma situação em que você fica preso a um endividamento sem fim e, consequentemente, incapaz de realizar projetos significativos, incapaz de transformar os sonhos em realidade.

Corrida dos ratos não tem absolutamente nenhuma relação com o conceito de mais valia. O projeto de sair da corrida dos ratos envolve tomar consciência do seu potencial, dos seus gastos e equilibrá-los montando uma reserva financeira para que você possa ter mais liberdade para se dedicar a projetos pessoais que sejam mais significativos para sua vida.

Na corrida dos ratos, o cidadão pode estar trabalhando por meio do contrato homem-hora, mas ele nunca é obrigado a permanecer com o contrato. É obrigação de cada indivíduo conhecer as regras da sociedade e procurar se reinventar e sobressair respeitando essas regras.

O projeto de sair da corrida dos ratos consiste em transformar o limão em limonada, ou seja, planejar, reinventar-se para que no momento certo possa trocar de emprego, ou criar uma renda extra ou montar a própria empresa. É importante compreender que nem todos tem o perfil para ser empreendedor e isso é algo absolutamente normal. Nesse caso, o objetivo pode ser conseguir um emprego com menor carga-horária que pague o equivalente ou conseguir uma renda extra sem sair do emprego estável, sempre com a intenção de ter mais liberdade e uma vida mais equilibrada.

Uma parte dos empreendedores de sucesso, passam por diversas empresas para aprender. E no processo saudável de gerar riquezas para seu patrão e para a sociedade em troca do salário, desenvolvem a habilidade de futuramente diminuir os riscos ao abrir o próprio negócio. O pensamento mesquinho de reclamar da vida, culpar a sociedade e culpar o patrão não passa de um sentimento de autossabotagem. A pessoa perde oportunidades e termina por criar sua própria ilha de miséria e sofrimento.